
O meu rosto, gelado e cansado... A minha alma petreficada de medo...não te quero... O sofrimento louco e sadio que penetra em mim por tua causa, tristeza maldita. Larga-me, vai-te daqui... Não te desejo! Entranhas-te estranhamente, matas-me de calafrios e dormência, consomes a alma, lavas-me o olhar... Tiras-me tudo. E eu, frágil ser que sou, deixo-me ir na esperança de conseguir viver contigo, na expctativa de me fazeres crescer... Mas revela-se o medo e a inocência, os meus fracassos de personalidade...esses laços que me ligam a ti. Pensamentos crueis, devaneios...tudo ocorre em mim aquando da tua chegada... Vens sorrateiramente com todo o tempo que o mundo tem e que te dá, espetas-me as tuas garras, amarras-me prazeirosamente, como uma aranha prende a presa na teia... Enleias-me e levas-me ao extremo da escuridão de um Ego intrínseco que não desejo... Oh, quando tu me abraças... noites, dias, momentos de desequilíbrio que jazem nas profundezas de uma alma, que de branca e pura se torna triste e escura.
A neblina que crias à minha volta é a mais temida do meu ser por me obstruír o caminho, gerando em mim uma criatura que conheço e que por isso odeio... Odeio-me contigo... Sinto-me desfalecer, caír aos poucos quando estás junto a mim... sinto-me fraca, preciso da tua outra face, preciso do meu canto, de um ombro de conforto, de um pedaço de papel onde possa depositar todos os gemidos e soluços que me fazes emitir... Só assim acalmo a minha dor e provoco a tua morte!
