
Tenho tanto medo. Sinto-me frágil demais para dar um sorriso, e em vez disso escorre-me uma lágrima que gela por completo a minha face e isola a alma... Deixaste-me, viraste costas... Tenho medo, tenho tanto medo de ser como tu, um insólito da natureza que caíu na mortalidade da escuridão. Não te quero ver, não posso... Trazes-me a maior dor que já senti... Disseste-me coisas que nunca ouvi... Morri para ti, morreste para mim. Que utopia extrema é a tua? Que sanidade mental tens tu? Ensinaste-me muito, mas destruíste tanto em mim daquilo que construíste... Transformaste amor em revolta, em dor... lágrimas que caem sem cessar.
Amo-te de qualquer forma, é inerente a mim e a ti, nunca virarei a cara como queres que faça, nem nunca deixarei de ser tua só porque é essa a tua vontade. Nas veias corre-me o teu sangue, tenho a tua essência e a tua existência...Sinto-me traída... Tudo adormeceu! Apenas ficou o vazio das tuas palavras. E tenho tanto medo de ser como tu, de não ter força como não tens, de dizer e fazer o que dizes e fazes... De agir erradamente como ages... Não quero ser lunática e muito menos psicótica! A verdade é que fizeste de mim o teu pilar que agora ruíu depois de tanta mentira e falsidade, com tanta insanidade mental... É fácil virar costas, não é? Foi fácil para ti dizeres-me para saír da tua vida... No entanto sei que sofres a mesma dor que eu...choras as noites como eu... Mas ao contrário de ti, não estou só, não afasto as pessoas que mais amo... Estás sozinho, adormeciso na escuridão da solidão, num poço onde os anjos não chegam, no qual apenas tu e a tua existência existe, porque a essência, destruíste-a em ti próprio.
Sinto-me fria, incapaz de dar o que realmente preciso... Não sinto nada senão o gelo da tristeza que paira em mim. Se ao menos um anjo me protegesse de todos os meus receios... Se ao menos alguém conseguisse compreender esta dor e me olhasse nos olhos, entrasse em mim e segredasse que o meu medo é impossível de se concretizar... Estaria então segura, sentir-me-ia tão leve... Carrego agora um fardo que terei de vencer: o de nunca ser como tu! Nunca te perdoarei e por mais que me custe afirmá-lo convincentemente, não preciso de ti para sobreviver pois por mais medo que tenha, por mais lembranças que guarde, tenho consciência suficiente de que nunca serei como tu... Decadência é a tua máxima, vencer é a minha. Terei que ter medo? A verdade é que ele me consome em cada atitude que tenho... Desiludiste-me, mostraste-me um ser para o qual não me preparaste, foste filho-da-puta comigo... Criaste-me com as tuas palavras e deitas-me abaixo com as mesmas. Sabes manusear tão bem a falsidade... Agora chegou o momento de me ignorares e me dares tantos pontapés quantos possas dar... Agradeço-te pela tua presença durante tantos anos, mas pergunto-me se terá sido a melhor... Desaparece se quiseres... Vivo na mesma com a simples diferença de que criaste em mim um labirinto no qual agora me refugio e que é impossível partilhar com alguém, porque tu próprio o trancaste a sete chaves... Por isso não te quero mais... Quero libertar-me, saír deste labirinto...Quero voltar a sorrir sem vontade de chorar... Por favor, deixa-me... Solta-me das tuas amarras. Estou cansada de ter medo... por favor...
Que raiva tenho do que criaste em mim... Sinto tanta vontade de te esbofetear como me esbofeteaste a mim ... Sinto a tua falta! Morreste porquê? Porque é que não me queres como tua filha? Fazes-me sofrer desta forma porquê? Porque é que sinto a necessidade de te ter ao meu lado se tanto me fizeste sofrer, se agora me ignoras e me trancaste? Mas eu não sou utópica e conseguirei trasformar esta dor... Pior que ela, só perder quem amo realmente, porque para mim, passaste a um desconhecido... Já não te conheço... conheci um dia, quando me vendaste os olhos... Neste momento, por saber quem tu és, não te conheço... Não passas de um ser de discursos subjecticos que precisa de ajuda e não conhece o seu lugar no mundo... Quem és tu? Uma alma perdida que vagueia envenenada pelos seus próprios actos, vivendo na imensidão dos porquês...
Ao fim e ao cabo tenho pena de ti e tanto medo de ser como tu!!!
Sei que não vais ler isto, mas aqui ficam as minhas sinceras palavras: Vive e deixa-me viver!
Com amor, de filha para pai...
2 comentários:
Arrepiei-me com este texto e fiquei de lágrimas nos olhos. É tão real, tão sentido e tão verídico que faz com que eu me sinta entranhada na tua pele. É como uma personagem dentro de mim. É sem duvida o melhor texto que ja li teu. Estás de Parabens por conseguires expôr tudo aquilo que realmente sentes de uma forma tao verdadeira para o dom da escrita. Apoderaste-te do leitor! Admiro-te e orgulho-me muito de ti!=') *
Simplesmente lindo este texto..consegues demonstrar os teus sentimentos de uma maneira excepcional com as tuas palavras tão sentidas e realistas.Um grande beijinho e continua...temos escritora;)
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