sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Êxtase nocturno


E enquanto não tenho sono, deixem-me escrever um pouco... A ansiedade funciona em mim como ecxtasy: fico alucinada all night long. E o que faço? Invento, brinco com os meus "caracóis perfeitos", abro e fecho os olhos repetidamente, remexo-me nos lençóis, penso, recordo, rio-me dessas memórias loucas... vejo a noite adormecida e se nada disto me faz dormir... escrevo. E aqui estou eu, extasiada pela ansiedade dos dias vindouros, ou não... Poder-se-á pôr em causa o "João-Pestana" ter por e simplesmente adormecido... Sei lá... Não vale a pena inventar... Tenho vontade de começar um novo dia, aquela agitação da rotina que me faz correr a cidade de uma ponta à outra... É isso que eu espero ansiosamente! Um novo amanhecer... O dia de amanhã. Problema: não o terei. Porquê? Não consigo dar o descanso mínimo que o meu corpo (embora de baixa estatura) precisa para aguentar o mexe-mexe do quotidiano. Resultado: quanto mais me enfureço com esta situação, mais ansiedade tenho pelos dias seguintes... menos durmo! E torna-se num círculo vicioso tão certinho que acabo sempre por acordar e pensar: Ahhhhh ... deixem-me dormir!!! Conclusão: Perco metade do dia e uma noite inteira. Fogo... isto limita uma pessoa! Bem, por outro lado, não é mau de todo, dado que sendo universitária, não terei de dispensar as tardes a estudar... Tenho as noites!!! (Humor negro pra meu próprio mal...). Enfim, cá estou e são precisamente neste momento 4:35h da manhã e a única luz que se vê... é a do meu candeeiro. Talvez será melhor apagá-la... Sim... daqui a pouco tempo os primeiros raios de sol do novo dia, que tanto eu queria, começam a despertar.
Depois de tanto êxtase, o meu cérebro entra em estado de choque... Não, não quero que amanheça, quero dormir... não quero ouvir os meus pais baterem com a porta enquanto saem... E o que mais me preocupa é que vou ter que levantar cedo... Credo... Isto está a ficar dramático!! O melhor mesmo é apagar a luz e dormir. Instalou-se o momento zombie: aquele em que depois da agitação e do choque de tanta actividade cerebral, nos deixa totalmente relaxados, sem actividade corporal... assim como se... do ecxtasy tivessemos passado ao xamón... Finalmente calma!!!

Meus queridos, boa noite!


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Desabafo perdido


Tenho tanto medo. Sinto-me frágil demais para dar um sorriso, e em vez disso escorre-me uma lágrima que gela por completo a minha face e isola a alma... Deixaste-me, viraste costas... Tenho medo, tenho tanto medo de ser como tu, um insólito da natureza que caíu na mortalidade da escuridão. Não te quero ver, não posso... Trazes-me a maior dor que já senti... Disseste-me coisas que nunca ouvi... Morri para ti, morreste para mim. Que utopia extrema é a tua? Que sanidade mental tens tu? Ensinaste-me muito, mas destruíste tanto em mim daquilo que construíste... Transformaste amor em revolta, em dor... lágrimas que caem sem cessar.
Amo-te de qualquer forma, é inerente a mim e a ti, nunca virarei a cara como queres que faça, nem nunca deixarei de ser tua só porque é essa a tua vontade. Nas veias corre-me o teu sangue, tenho a tua essência e a tua existência...Sinto-me traída... Tudo adormeceu! Apenas ficou o vazio das tuas palavras. E tenho tanto medo de ser como tu, de não ter força como não tens, de dizer e fazer o que dizes e fazes... De agir erradamente como ages... Não quero ser lunática e muito menos psicótica! A verdade é que fizeste de mim o teu pilar que agora ruíu depois de tanta mentira e falsidade, com tanta insanidade mental... É fácil virar costas, não é? Foi fácil para ti dizeres-me para saír da tua vida... No entanto sei que sofres a mesma dor que eu...choras as noites como eu... Mas ao contrário de ti, não estou só, não afasto as pessoas que mais amo... Estás sozinho, adormeciso na escuridão da solidão, num poço onde os anjos não chegam, no qual apenas tu e a tua existência existe, porque a essência, destruíste-a em ti próprio.
Sinto-me fria, incapaz de dar o que realmente preciso... Não sinto nada senão o gelo da tristeza que paira em mim. Se ao menos um anjo me protegesse de todos os meus receios... Se ao menos alguém conseguisse compreender esta dor e me olhasse nos olhos, entrasse em mim e segredasse que o meu medo é impossível de se concretizar... Estaria então segura, sentir-me-ia tão leve... Carrego agora um fardo que terei de vencer: o de nunca ser como tu! Nunca te perdoarei e por mais que me custe afirmá-lo convincentemente, não preciso de ti para sobreviver pois por mais medo que tenha, por mais lembranças que guarde, tenho consciência suficiente de que nunca serei como tu... Decadência é a tua máxima, vencer é a minha. Terei que ter medo? A verdade é que ele me consome em cada atitude que tenho... Desiludiste-me, mostraste-me um ser para o qual não me preparaste, foste filho-da-puta comigo... Criaste-me com as tuas palavras e deitas-me abaixo com as mesmas. Sabes manusear tão bem a falsidade... Agora chegou o momento de me ignorares e me dares tantos pontapés quantos possas dar... Agradeço-te pela tua presença durante tantos anos, mas pergunto-me se terá sido a melhor... Desaparece se quiseres... Vivo na mesma com a simples diferença de que criaste em mim um labirinto no qual agora me refugio e que é impossível partilhar com alguém, porque tu próprio o trancaste a sete chaves... Por isso não te quero mais... Quero libertar-me, saír deste labirinto...Quero voltar a sorrir sem vontade de chorar... Por favor, deixa-me... Solta-me das tuas amarras. Estou cansada de ter medo... por favor...
Que raiva tenho do que criaste em mim... Sinto tanta vontade de te esbofetear como me esbofeteaste a mim ... Sinto a tua falta! Morreste porquê? Porque é que não me queres como tua filha? Fazes-me sofrer desta forma porquê? Porque é que sinto a necessidade de te ter ao meu lado se tanto me fizeste sofrer, se agora me ignoras e me trancaste? Mas eu não sou utópica e conseguirei trasformar esta dor... Pior que ela, só perder quem amo realmente, porque para mim, passaste a um desconhecido... Já não te conheço... conheci um dia, quando me vendaste os olhos... Neste momento, por saber quem tu és, não te conheço... Não passas de um ser de discursos subjecticos que precisa de ajuda e não conhece o seu lugar no mundo... Quem és tu? Uma alma perdida que vagueia envenenada pelos seus próprios actos, vivendo na imensidão dos porquês...
Ao fim e ao cabo tenho pena de ti e tanto medo de ser como tu!!!
Sei que não vais ler isto, mas aqui ficam as minhas sinceras palavras: Vive e deixa-me viver!

Com amor, de filha para pai...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Voz

Escrevo novamente pelo ser intrinsecamente perdido, para expulsar, desenlear o nó que sente na garganta. Quer falar e não consegue...não pode. Esconde-se de dia num outro ser que se mostra sempre forte, sorridente e com uma palavra a dizer e uma palavra a escutar... À noite... desmascara-se e chora, depara-se com um ser frágil que precisa de ouvir as palavras certas; que pede socorro por um ombro onde possa ser ele mesmo... uma criança-adulta que tem medo de naufragar de dia, porque de noite tem de recuperar a força para voltar a navegar num mar de criaturas horrendas, Tágides das quais se tenta afastar, mas que por alguma razão, sempre lá estão à espera do momento exacto para iludir, pisar e massacrar com gritos silenciosos de futilidade cruel que rasgam os tímpanos. E é esta falsidade, a infidelidade da consciência destas criaturas nojentas, que me atinge. E torna-se isto a minha rotina diária: uma máscara superficialmente imaginária que se solta de noite, quando fielmente entra no seu mundo e descansa apaziguadamente. É do dia que receio...É da noite que preciso
Sinto falta de um abraço... É só o que eu quero... um abraço...uma voz confie em mim, que está do meu lado e me diga que eu vou conseguir... porque um ser sozinho nunca é forte o suficiente, e eu, que escondo a minha outra face e embora recupere as minhas forças na noite, não sou uma criatura solitária que vive fechada no seu mundo... Não! Eu sou como todos vós, que por mais que digam interiormente que sois fortes, sabeis que um ombro amigo, uma voz presente e uma mão na consciência é a alternativa e a maior necessidade do ser humano para ter toda a força de que precisa para seguir em frente a cada dia que passa.
Eu sou um ser humano...eu sou a fragiidade caricaturada que só quer um abraço, um ombro para derramar os desabafos do dia. A noite... as máscaras... são horizontes da consciência humana que interiormente se expõem e que exteriormente se escondem, mas que me fazem falta para sobreviver num mundo ingrato e de desprezo...
Só quero um abraço, uma mão que se estenda e que me agarre... Quero que tu me digas: Vais conseguir!! Quero-te a ti ao meu lado... Quero-te!
02:10h

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Sadness




O meu rosto, gelado e cansado... A minha alma petreficada de medo...não te quero... O sofrimento louco e sadio que penetra em mim por tua causa, tristeza maldita. Larga-me, vai-te daqui... Não te desejo! Entranhas-te estranhamente, matas-me de calafrios e dormência, consomes a alma, lavas-me o olhar... Tiras-me tudo. E eu, frágil ser que sou, deixo-me ir na esperança de conseguir viver contigo, na expctativa de me fazeres crescer... Mas revela-se o medo e a inocência, os meus fracassos de personalidade...esses laços que me ligam a ti. Pensamentos crueis, devaneios...tudo ocorre em mim aquando da tua chegada... Vens sorrateiramente com todo o tempo que o mundo tem e que te dá, espetas-me as tuas garras, amarras-me prazeirosamente, como uma aranha prende a presa na teia... Enleias-me e levas-me ao extremo da escuridão de um Ego intrínseco que não desejo... Oh, quando tu me abraças... noites, dias, momentos de desequilíbrio que jazem nas profundezas de uma alma, que de branca e pura se torna triste e escura.


A neblina que crias à minha volta é a mais temida do meu ser por me obstruír o caminho, gerando em mim uma criatura que conheço e que por isso odeio... Odeio-me contigo... Sinto-me desfalecer, caír aos poucos quando estás junto a mim... sinto-me fraca, preciso da tua outra face, preciso do meu canto, de um ombro de conforto, de um pedaço de papel onde possa depositar todos os gemidos e soluços que me fazes emitir... Só assim acalmo a minha dor e provoco a tua morte!